Porto Alegre lidera ranking de água contaminada entre 20 capitais brasileiras

Porto Alegre tem a pior qualidade de água entre 20 capitais brasileiras. Esta é uma das conclusões do estudo elaborado pelo Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas e divulgado nesta segunda-feira, 23 de setembro.

Conforme a pesquisa, a qualidade da água distribuída a 40 milhões brasileiros (moradores das 20 capitais que foram incluídas no estudo) atende aos requisitos do Ministério Público, mas contém “interferentes endócrinos”, substâncias que afetam o sistema hormonal de seres humanos e animais.

O pesquisador Wilson Jardim explicou ao Jornal da Unicamp, na edição desta semana, que existem cerca de 800 substâncias do tipo que são consideradas “contaminantes emergentes” da água — isto é, que aparecem no líquido, mas não são controladas por leis ou regulamentos.

— A cada ano, são mais de mil novos compostos registrados. Trinta anos atrás, as pessoas usavam três produtos de higiene quando acordavam, antes de sair de casa. Hoje são dez, em média _—informou Jardim à publicação.

No levantamento realizado pelo Instituto, foram coletadas amostras de água de mananciais e da água já tratada que chega à população em 19 capitais de Estados brasileiros e no Distrito Federal. O nível de cafeína na água foi usado como indicador da presença de contaminantes que têm ação estrógena, isto é, um efeito semelhante ao do hormônio feminino.

No topo do ranking, a capital gaúcha apresentou a maior concentração de cafeína na água servida à população, uma média de 2.257 ng/l — seguida por Campo Grande (900 ng/l) e Cuiabá (222 ng/l). A capital onde a água é menos contaminada é Fortaleza, com 2 ng/l.

A preocupação em relação aos contaminantes emergentes é internacional. No ano passado, um relatório alertando para os possíveis riscos das substâncias encontradas na água foi publicado por dois órgãos da ONU, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Ainda que não reconheça uma prova irrefutável de que os contaminantes estejam agindo na saúde da população, o relatório citou uma série de problemas. Entre eles, o aumento no número de casos de certos tipos de câncer e a antecipação da idade da primeira menstruação das meninas, que podem estar associados às susbtâncias contaminantes.
Fonte: Zero Hora.


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